terça-feira, 24 de agosto de 2021

Desabafo de um blog

Eu, este blog solitário, nasceu num tempo em que os humanos ainda se debruçavam sobre alguns poucos parágrafos. Na época, testemunhei, animado, à popularidade de muitos blogs colegas meus que, hoje, encerrados, parecem sombras de um distante passado. Fui trocado pelo laconismo do Twitter, pelos stories do Instagram, pelos apelos do TikTok.

Silenciado por anos, assisto, calado, à pandemia aterrorizando a humanidade, embora tenha tanto a dizer. Sinto-me como os humanos: paralisado. Mas ao menos os humanos nutrem uma expectativa de dias melhores. Parecem hibernando durante um rigoroso inverno, prestes a gastar toda a energia quando o inverno acabar.

As incertezas dessa nova realidade provocaram profundas reflexões, e os humanos ganharam clareza daquilo que esperam do futuro. Eu, no entanto, não sei o que esperar. Quem sabe você, humano-luz-no-fim-do-túnel, pode me dizer: Como você chegou aqui? O que veio buscar em mim? Sua resposta pode, enfim, me arrancar da profunda sonolência ou entorpecer meus sentidos de vez.



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quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Perdas e ganhos

Insaciável criatura insatisfeita
No afã de realizar-se,
desfez-se do conhecido,
cotidiano, previsível
Foi abrigar-se no que lhe faltava

Queixosa criatura frustrada
No afã de realizar-se
no inesperado
Perdeu o que lhe sobrava



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sábado, 27 de junho de 2015

Vira-lata solidária

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quarta-feira, 17 de junho de 2015

Felicidade

        "Todas as medições já feitas de felicidade dizem que você não é mais feliz porque é rico, ou porque é magro, ou jovem. Você é mais feliz porque tem relações significativas em sua vida, e isso não tem nada a ver com aparência, com idade, com riqueza". (Maria Eugênia Suconic)


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sexta-feira, 12 de junho de 2015

‘Denali': Photographer Ben Moon’s Touching Tribute to His Beloved Dog



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domingo, 10 de maio de 2015

Dia das Mães

        Conheci há poucos anos a tristeza de um dia das mães sem mãe. Quem acompanha esse blog sabe que perdi minha mãe em 2011. E, no dia em que ela se foi, só caiu a ficha do que realmente tinha acontecido quando a seguinte frase me invadiu a cabeça: "Nunca mais vou poder abraçar minha mãe." Muito da minha dor naquele dia, hoje e para o resto da vida pode ser expressa por essa frase porque um abraço é a síntese de tudo: do afeto, da proteção, do importar-se, do ter com quem contar, de poder cuidar e ser cuidada.
        Acho que daria minha vida por só mais um abraço, daqueles em que simplesmente não existe mais nada ao redor. E, se me fosse pedido só um conselho no dia de hoje, eu diria para as mães: abrace seu filho com a mesma emoção que sentiu quando ele veio ao mundo e você pôde, finalmente, segurá-lo pela primeira vez. Aos filhos, eu diria: abrace sua mãe com a emoção de quem volta de uma longa viagem e avista novamente seu porto seguro.
        Aos leitores, peço desculpas pela tristeza derramada. Juntando-me a vocês, recolho, então, a tristeza, e guardo meu abraço para as mulheres que, de uma forma ou de outra, também são como mães para mim. Meu abraço apertado também a todas as mães que dão a vida por seus filhos e aos filhos que, como eu, dão a vida por um abraço de mãe.


Tristeza nem é tanto passar o dia das mães sem mãe, é passar todo o resto do ano sem ela.


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terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Preguiçoso

        Perfil de um preguiçoso: dê-lhe um bom motivo para fazer algo, e ele lhe dará dois ótimos motivos para não fazê-lo.


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segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Trabalho

"O trabalho é como gás. Ocupa todo o espaço que você lhe dá."


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terça-feira, 26 de agosto de 2014

Desejo

        Hoje eu só queria me deitar num chão qualquer com um quê de mato em volta e mergulhar os olhos no céu até eles ficarem inebriados de tanto azul.



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quarta-feira, 16 de julho de 2014

A duração do valor

        Quanto tempo dura o valor? O tempo que durar a memória alheia.


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segunda-feira, 2 de junho de 2014

Sobre vocação e realização

        Assistindo na TV à trajetória dos bem-sucedidos jogadores escalados para a Copa, vejo que há um denominador comum nessas histórias: a paixão pelo futebol desde muito cedo. Natural, pois no esporte é preciso dar tudo de si e, de preferência, começando o mais cedo possível. Mas, e quem já está maduro, querendo recomeçar e não sabe para onde ir? E se esse alguém sequer se lembra de uma grande paixão ou interesse antigo?
        Numa época em que é possível aprender algo novo e recomeçar aos 30, 40, 50, 60, 70, 80, 90 anos, com o mundo inteiro à disposição apertando algumas teclas, fica mesmo difícil escolher. E, então, onde procurar a ponta desse novelo quando ela não está assim tão evidente quanto uma vocação precoce?
        Todas essas histórias de sucesso que ouvimos diariamente começam do mesmo jeito: com um sonho. E esse sonho pode ser algo bem recente. Não importa o tempo de vida, ele se denuncia. Dentro ou fora de você. No que você se pega pensando quando acorda ou quando vai dormir. No que você diz que não quer morrer sem tentar. No que você só confessa querer para o melhor amigo. No que você vislumbra para os seus filhos porque, secretamente, queria mesmo era para você. No que você viu alguém querido fazendo a vida inteira e achou que nem era vocação, era apenas óbvio demais porque sempre esteve ali. No que você viu alguém começando a fazer ontem e de repente não sai da sua cabeça como uma grande sacada.
        Sonhos, uma vez instalados, deixam rastros, olhares distantes, cabeças avoadas, sorrisos no canto da boca. Deixam o gostinho do que seria ou será. Realizações deixam muito mais: deixam o gostinho do que já é e daquilo que você nunca mais esquecerá.



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segunda-feira, 19 de maio de 2014

O valor de nossos idosos

        É comum a menção às conquistas dos idosos somente do passado, muitas vezes muito distante. "Fulano foi um excelente pianista. Beltrano foi o melhor patrão que eu conheci". E os idosos vão se acostumando a viver do ontem, como se hoje nada fossem ou nada significassem. Consideram erroneamente como valor o que na verdade se chama utilidade para os outros. E a gente pode facilmente reparar esse equívoco apontando o valor intrínseco, e, portanto, sempre presente, dos nossos idosos queridos com mais frequência, não é mesmo?


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terça-feira, 13 de maio de 2014

Viver sozinho

        Viver sozinho é ao mesmo tempo ter a chance de aprender profundamente sobre si mesmo e perder a chance de aprender com o outro.


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segunda-feira, 12 de maio de 2014

Utilidade



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terça-feira, 8 de abril de 2014

Missão

        Nossa missão na vida é, primeiramente, cuidar bem da nossa vida e das que estão ao redor, sejam quais forem as formas de vida dependentes de nós ao longo do caminho.


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quarta-feira, 12 de março de 2014

Um documentário sobre todos nós

        Publicado esse mês na Revista Vida Simples: EU MAIOR, um documentário sobre autoconhecimento e busca da felicidade. Veja em http://www.eumaior.com.br/




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quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Para uma grande amiga-irmã

        Não consigo parar de pensar em você e nos desafios que estão à sua espera. Surgiu uma lembrança daquela conversa que tivemos quando você estava trabalhando aqui na qual falamos sobre ouvir o coração porque o coração conhece a direção, mesmo que a gente (ainda) não.
        Meu coração há pouco me deu o seguinte recado sobre você:
vai dar tudo certo, simplesmente porque você viajou sozinha de mudança para tão longe seguindo seu coração. Com a sua escolha, só há dois caminhos: você ficar, prosperar, se encontrar, ser feliz, ou voltar. E voltar, nesse contexto, não significaria perder nem fracassar; tendo ido, se você escolher voltar, voltará apaziguada com um monte de coisas que te inquietavam, que te impeliam para onde você está agora.
        O único "fracasso" seria ter ficado quando o coração gritava para você ir embora e passar a vida pensando no que poderia ter sido. Não existe ferrolho mais emperrado do que o que poderia ter sido.
        Você destravou o ferrolho, se jogou, teve uma coragem que poucos teriam, acreditou no que seu coração te dizia. Mulher, tua luz é grande, e teu coração é maior ainda. Se ele não puder te ajudar, nada mais poderá.
        Um abraço gigantesco com uma vontade monstra de te aconchegar.
        Tô aqui. Sempre.



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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Coisas

        Evoluir é lembrar que coisas são apenas coisas, não uma parte de você.


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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Conhecimento

        O conhecimento, quando acompanhado da arrogância, é uma forma de agressão.


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domingo, 17 de novembro de 2013

Vida moderna

        No caos da vida moderna nossos maiores patrimônios são o silêncio e o tempo.


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