quinta-feira, 21 de março de 2013

Ócio

O ócio
só existe no dicionário.
Na vida real
existe o computador.
Entre o relógio de ponto e o happy hour,
entre gravatas e tailleurs,
o tempo não ocioso se gasta
curtindo no Facebook,
seguindo no Twitter,
maldizendo a banda supostamente larga
e lamentando a extinção
do tempo ocioso.


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Golpe

O 11 de setembro
golpeou a segurança.
Jazem no local
os restos mortais
da onipotência americana.


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O progresso

O progresso
cimentou a cobra
e asfixiou o pau.


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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Reportagem - Guerra e paz na favela olímpica



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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

A Cidade do Samba - Vídeo de Jarbas Agnelli


The City of Samba from Jarbas Agnelli on Vimeo.



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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Um medo

        Um medo: descobrir lá na frente que o melhor era o outro caminho.


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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Segunda mão

        Lembro os tempos da faculdade de decoração em que os olhinhos dos alunos faiscavam quando viam peças de design nos livros, nas revistas, nas mostras de decoração. A gente visitava quase todas, e não era raro encontrar a mesma cadeira famosa em dois ou três ambientes diferentes na mesma mostra. Todas sempre luzindo, comentadas, caras e cobiçadas. E, basicamente, os olhares se voltavam para designers consagrados cujas peças há décadas estavam sob os holofotes e, em menor proporção — bem menor — para os novos designers e seus lançamentos. Peças há tempos catalogadas, encerradas em suas medidas exatas. Durante os projetos, criando ambientes com essas peças, eu sentia falta de me expressar também na criação delas.
        Foi passeando pela Feira do Troca da Praça XV que comecei a desenvolver a capacidade de enxergar em objetos de segunda mão lindas peças novas — e únicas. Era o usado tendo chance continuar se expressando, encantando, inovando.
        E, nesses tempos em que nos preocupamos em reciclar tudo o que é possível, mais e mais olhos vão conseguindo enxergar o encantamento de dar vida nova ao que alguém descartou.
        Foi com base nesse novo olhar que, no meu projeto final, um atabaque virou luminária, um carretel de cabo virou mesa, e outras coisas menores viraram peças de algum outro objeto — tímido, desconfiado de seu futuro, inseguro quanto à sua aceitação num mundo onde as pessoas ainda estão aprendendo a olhar com aprovação objetos de segunda mão.
        Quando, enfim, um olhar se deixa seduzir pelo objeto transformado, o designer sente que cumpriu algumas de suas funções: ser criativo, enxergar além das coisas, dar vida nova aos objetos, contribuir para a preservação do meio ambiente, transformar olhares, surpreender, superar-se.
        Frequentemente, a transformação é motivada pela admiração. Para aprender a reciclar, é preciso reciclar-se primeiro. Muitos há tempos já se esforçam para tornar o meu e o seu mundo mais aprazível. Nossos aplausos ao poder de transformação de quem muitas vezes faz do que é de segunda mão a primeira opção.



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terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Resoluções de Ano Novo — Outra Vez

        Mais um ano tinindo de novo nos recebe, e a gente faz um monte de planos outra vez. E, na lista de novos planos, logo percebe que alguns não são novos: são do ano passado, retrasado, ou ainda mais velhos.
        Velhas promessas não cumpridas. Velhas promessas retomadas. Algumas velhas promessas simplesmente abandonadas. Novas ou velhas, as promessas persistem. Mas será que, diante da constatação que a maioria das promessas fica só no papel, será que ainda vale a pena prometer?
        Bem, o que sempre vale a pena é ter metas. Esse é o motivo da promessa: querer dar um passo adiante. Então, talvez valha a pena ser mais específico. E talvez também valha a pena ter apenas um alvo. Isso quer dizer que, se você colocar como meta parar de fumar, aprender inglês, entrar na academia, e quiser tudo isso para amanhã, tem grandes chances de fracassar.
        Que tal eleger uma prioridade? Se todas as suas energias estiverem direcionadas para ela, talvez você consiga ir mais longe do que se despender uma quantidade de energia enorme para várias tarefas ao mesmo tempo.
        Se eu quero aprender a cozinhar, tocar violão e fotografar esse ano, provavelmente o tempo dedicado a cada uma dessas atividades será menor que o desejado para um bom resultado no fim do ano. O quão bem eu quero estar cozinhando, tocando ou fotografando quando 2013 terminar? Se eu encasquetar que vou levar adiante as 3, será que elas ficarão bem feitas?
        Um aprimoramento consistente é um dos melhores motivadores. Não será melhor cozinhar OU tocar OU fotografar BEM do que ter se dedicado a todas superficialmente? Se a resposta for sim, vamos à dúvida final: mas QUAL, se eu gosto de todas?
        Bem, aí é apelar para o coração. Ele é mestre em determinar prioridades. De repente você vai se pegar realizando uma delas sempre em primeiro lugar, ou uma sempre com mais frequência do que as outras. Como costumo dizer, nós sempre temos tempo para as nossas prioridades. Se não temos tempo, é porque não é prioridade.



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sábado, 29 de dezembro de 2012

Com o perdão da obviedade (ou segundo lembrete para mim mesma)

Quando você está certo, tudo dá certo. Se não está dando certo é porque você está errado.


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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Saudades da terrinha

        Não há melhor medida de distância do que a saudade. Levando isso em consideração, o Brasil me parece a anos-luz daqui.
        Diante dos quase 3 meses que me restam na Espanha, já começo a sentir falta de coisas tão bobas que nem fazem diferença para quem está aí. Saudades de ouvir bossa nova escoando do rádio do vizinho aos domingos. Saudades de passear com o cachorro no quarteirão de sandálias Havaianas, pois o frio daqui me obriga a estar permanentemente envolta em camadas de roupas. Só vejo meus pés na hora do banho. A falta de convivência anda nos distanciando.
        Sinto saudades até do calor insuportável do Rio. Era um incômodo já administrado. Há 10 dias ando fazendo revezamento de dor de garganta, resfriado e insônia por causa do frio. Os aquecedores do quarto e da sala também andam se revezando para dar conta de aplacar o desconforto e me manter em funcionamento.
        Mas o que mais pesa é a distância dos entes queridos que povoam o meu dia a dia na terrinha. Sabe aquele telefonema com convite para o almoço de domingo? Aquele torpedo para assistir à estreia de uma peça? Aquele encontro para um cineminha à noite? Aquela fugidinha para um café com uma amiga? Pois é. Eles não me alcançam. Estou totalmente fora da área de cobertura.
        Felizmente, a internet me dá uma certa ilusão de proximidade. Enquanto a terrinha fica só na lembrança, escrevo aqui para me sentir mais perto.
        Mas nem tudo é lamúria. Há coisas absolutamente incríveis e dignas de nota por aqui. Tratarei de aproveitá-las, pois elas também deixarão saudades quando eu voltar ao Brasil. E, claro, compartilharei essas novidades com vocês aqui no blog quando o tempo me permitir.
        Por ora me despeço, deixando um grande abraço aos meus amigos, familiares e a todos que acompanham o blog. Um 2013 cheio de alegrias tupiniquins para vocês.


Foto de Rodrigo Valverde, que me fotografou fotografando ao amanhecer.
Para ver mais fotos do Rodrigo, visite o blog Por mis ojos em http://rodrigo-pormisojos.blogspot.com.es/





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