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sábado, 29 de dezembro de 2012
Com o perdão da obviedade (ou segundo lembrete para mim mesma)
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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
Saudades da terrinha
Não há melhor medida de distância do que a saudade. Levando isso em consideração, o Brasil me parece a anos-luz daqui.
Diante dos quase 3 meses que me restam na Espanha, já começo a sentir falta de coisas tão bobas que nem fazem diferença para quem está aí. Saudades de ouvir bossa nova escoando do rádio do vizinho aos domingos. Saudades de passear com o cachorro no quarteirão de sandálias Havaianas, pois o frio daqui me obriga a estar permanentemente envolta em camadas de roupas. Só vejo meus pés na hora do banho. A falta de convivência anda nos distanciando.
Sinto saudades até do calor insuportável do Rio. Era um incômodo já administrado. Há 10 dias ando fazendo revezamento de dor de garganta, resfriado e insônia por causa do frio. Os aquecedores do quarto e da sala também andam se revezando para dar conta de aplacar o desconforto e me manter em funcionamento.
Mas o que mais pesa é a distância dos entes queridos que povoam o meu dia a dia na terrinha. Sabe aquele telefonema com convite para o almoço de domingo? Aquele torpedo para assistir à estreia de uma peça? Aquele encontro para um cineminha à noite? Aquela fugidinha para um café com uma amiga? Pois é. Eles não me alcançam. Estou totalmente fora da área de cobertura.
Felizmente, a internet me dá uma certa ilusão de proximidade. Enquanto a terrinha fica só na lembrança, escrevo aqui para me sentir mais perto.
Mas nem tudo é lamúria. Há coisas absolutamente incríveis e dignas de nota por aqui. Tratarei de aproveitá-las, pois elas também deixarão saudades quando eu voltar ao Brasil. E, claro, compartilharei essas novidades com vocês aqui no blog quando o tempo me permitir.
Por ora me despeço, deixando um grande abraço aos meus amigos, familiares e a todos que acompanham o blog. Um 2013 cheio de alegrias tupiniquins para vocês.
Foto de Rodrigo Valverde, que me fotografou fotografando ao amanhecer.
Para ver mais fotos do Rodrigo, visite o blog Por mis ojos em http://rodrigo-pormisojos.blogspot.com.es/
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quinta-feira, 1 de novembro de 2012
Súplica em um dia de calor
Alguém pode dar uma vassourada nesse calor que está pousado no meu quarto?
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quarta-feira, 31 de outubro de 2012
Definição de sonhador
Para mim um sonhador é aquele que acredita mais naquilo que imagina do que naquilo que vê.
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terça-feira, 23 de outubro de 2012
Além da imagem
Os cariocas estavam ansiosos para a chegada da exposição Impressionismo: Paris e a Modernidade, que ficará no CCBB até 13 de janeiro. "A exposição traz pela primeira vez ao país uma seleção de 85 obras-primas do acervo do Museu d'Orsay de Paris, um dos mais visitados museus do mundo, dedicado à arte do século XIX e detentor da mais importante coleção de impressionistas".
Diante de exposições desse peso, a história se repete: o público corre para as livrarias para conhecer mais sobre o assunto e usufruir mais plenamente do que está em exibição em sua cidade. Outros se animam e resolvem fazer o tão sonhado — ou um sequer cogitado — curso de História da Arte.
Um evento assim, que mobiliza multidões, às vezes é o único estímulo forte o bastante para se colocar em prática, lendo e estudando, o que antes era, para muitos, uma vontade remota. Seja lá o que tenha impulsionado a vontade de aprender — a indicação de um professor, a recomendação de um amigo, um conselho de um parente, um texto na internet, a insistência do namorado —, uma leitura ou curso têm o maravilhoso poder de nos renovar. A chance de você ficar no mínimo feliz com a oportunidade de upgrade concedida a si próprio é imensa.
Nem sempre o que impulsiona a aquisição de conhecimento é tão notório quanto essa exposição que veio nos visitar. Às vezes é mais fruto de um processo interno do que de um acontecimento externo. Pode ser que o que você pretende conhecer mais a fundo sempre tenha feito parte da sua vida. E pode ser algo tão presente que você nunca tenha cogitado estudar justamente pelo fato de o assunto já lhe parecer suficientemente familiar. Isso acontece, por exemplo, com pessoas que têm um parente que cozinha tão bem e está tão à mão para ensinar ou dar dicas que chegam a desconsiderar a hipótese de estudar gastronomia.
Algo parecido me aconteceu muito recentemente. Apaixonada por fotografia, achava que o núcleo do assunto era a técnica, mas cheguei a outra conclusão: o núcleo do assunto é a imagem em si. A partir dessa constatação, qual direção seguir? Estudar imagem? Afinal, imagem não é algo banal, de conhecimento universal e inerente à existência?
A imagem não é algo dominado porque é onipresente. É um universo a se estudar sob os mais variados aspectos. Imbuída desse pensamento, resolvi conhecer melhor o assunto. Então, para me nortear nessa nova aventura, resolvi fazer o — excelente, por sinal — curso de composição da imagem no Ateliê da Imagem. E meu olhar, felizmente, ganhou a chance de se tornar embasado. Como meu lema é socializar o que pode ser enriquecedor, deixo para vocês o depoimento do professor desse curso, André Dorigo:
"O curso tem por objetivo proporcionar ao aluno a compreensão dos elementos, conceitos e recursos visuais usados na composição de imagens, para que possam servir de ferramenta para o desenvolvimento do seu trabalho pessoal. A partir dos exemplos dos grandes mestres da pintura e da fotografia, buscamos refletir sobre a imagem ao longo dos diversos períodos históricos de modo a compreender melhor a produção (e a profusão) imagética do nosso tempo. Os alunos também são convidados a apresentarem seus trabalhos, para que sejam discutidos em classe. No entanto, mais do que estimular a produção e análise de imagens, o curso pretende ser um exercício do olhar".
Em uma época de bombardeios diários com novos equipamentos digitais cada vez mais inteligentes e cheios de recursos, acabamos deixando de lado o que motiva o clique: o olhar — o início de tudo.
Você já parou para analisar o quando a cultura na qual você está imerso determina a sua leitura da imagem? Já observou como o corte que se faz no enquadramento, inclusive a escolha das orientações retrato ou paisagem, determina o olhar do leitor? Já se deteve um pouco mais nas linhas que compõem a imagem? Já avaliou a intenção do fotógrafo ao capturar a imagem naquele ângulo escolhido?
Todos somos consumidores de imagens, e esse assunto não nos é indiferente. No caso de produtores de imagens, então, esse conhecimento é essencial. Mas, acima de tudo, dispor de ferramentas que embasem o olhar e ver antigas imagens adquirindo novos sentidos é se sentir também renascendo.
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domingo, 21 de outubro de 2012
Qual é o seu lugar no mundo?
Você já pisou em algum lugar e de repente teve a sensação de que aquele era o seu lugar no mundo? Isso aconteceu comigo quando conheci Ouro Preto. Se me fosse concedido um desejo, eu pediria para visitar Ouro Preto todos os anos até o fim da vida.
Abrir a janela e ver enquadradas as montanhas salpicadas de igrejas, comer couve com tutu à mineira, doces caseiros sem igual, aquela variedade de queijos saborosos, um inesquecível mexidinho, ver o entardecer dourando as construções tombadas, subir suas ladeiras de pedra-sabão, misturar-se ao burburinho universitário em épocas de festa ou procurar uma ruela e ficar sentado na calçada observando os contornos da paisagem - poucas coisas nessa vida me parecem tão desejáveis desde que os meus olhos encontraram aquele relevo pela primeira vez.
Ah, Ouro Preto me emociona como só mais um lugar conseguiu: Tiradentes. Essa cidade também transmite tanta paz, tem um poder de encantamento tão avassalador que dá vontade de se camuflar para se misturar à paisagem acolhedora. Um final de semana por lá e você já está "amineirando" o passo, conferindo as horas no relógio de sol da Igreja da Matriz, folheado livros de "causos" do lugar, querendo se demorar.
Ouro Preto e Tiradentes são dois lugares onde me desfaço para me refazer com menos racionalidade e mais emoção. Lugares onde me escuto melhor, onde me calo melhor, onde a solidão é mais companhia e onde cada ruazinha é imensidão.
Não importa o seu lugar no mundo. Pode ser outra cidade, outro país, um bairro, a sua casa, a casa da sua mãe ou avó, o parque onde você caminha, a praia que renova suas energias. O importante é que você reconheça esse lugar e sinta que você tem para onde voltar quando quiser se (re)encontrar.
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segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Pensamento à toa, à toa
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sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Frase
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terça-feira, 25 de setembro de 2012
Altruísmo
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domingo, 23 de setembro de 2012
Sobre as peças Barrela e Ato de comunhão
Que limites são esses? Bem, muita gente tem a diversão como principal parâmetro para ir ao teatro. Se você se encaixa nessa categoria, risque essas duas peças da sua lista. Não há nada menos divertido do que o que se ouve e vê nelas. As imagens e as palavras incomodam porque são reflexos de realidades que a maioria quer manter debaixo do tapete. É duro ter conhecimento da realidade carcerária. Também é duro acreditar que alguém possa comer, premeditadamente, um pedaço de carne humana. Nas duas peças a brutalidade impera. A brutalidade é a face mais pungente do nosso lado obscuro. A brutalidade nos aproxima dos animais. E a animalidade humana é tudo o que a educação e a religião procuram combater. O limite, então, são realidades medonhas que não rimam com diversão.
Ora, a gente busca conhecer outras realidades o tempo inteiro. A gente procura isso na TV e no cinema. A gente está exposto a isso quando lê o jornal. E, se não busca, a exposição a outras realidades se dá involuntariamente, de modo corriqueiro: na música que eu jamais escolheria escutar, mas que está tocando no carro que passa; no linguajar que eu entendo, mas não sou capaz de usar; nas roupas alheias que me causam estranhamento; na comida da foto que eu nunca provei; até na vizinhança a realidade de quem mora ao lado é muito diferente da minha.
Então, por que só ir ao teatro para identificar-se com o(s) personagens,? Por que escolher pisar sempre em terrenos conhecidos? Por que sempre o caminho do riso fácil, da identificação fácil, da compreensão fácil?
Por que nos palcos a brutal realidade é menos digerível do que nos livros, jornais, cinema e TV? No teatro não há folhas nem telas de vidro que nos separem de duras realidades. Nos outros casos, se ficar difícil de suportar, basta fechar o livro/jornal, desligar a TV ou sair da sala de cinema, não é mesmo?
E quando você está a alguns palmos de distância do(s) ator(es), como nessas duas peças, apresentadas em espaços mínimos? E se, no meio do espetáculo, você tiver vontade de invadir a cena, gritar, deter o ator ou desaparecer da cadeira? Nesse tipo de peça, é possível brotar alguma ânsia similar. É apenas o desconforto fantasiando uma saída estratégica. E o desconforto, caro leitor, não é amigo da diversão, mas um companheiro muitas vezes inseparável do crescimento.
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