quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Definição de sonhador

        Para mim um sonhador é aquele que acredita mais naquilo que imagina do que naquilo que vê.



Link para essa postagem


terça-feira, 23 de outubro de 2012

Além da imagem

        Os cariocas estavam ansiosos para a chegada da exposição Impressionismo: Paris e a Modernidade, que ficará no CCBB até 13 de janeiro. "A exposição traz pela primeira vez ao país uma seleção de 85 obras-primas do acervo do Museu d'Orsay de Paris, um dos mais visitados museus do mundo, dedicado à arte do século XIX e detentor da mais importante coleção de impressionistas".
        Diante de exposições desse peso, a história se repete: o público corre para as livrarias para conhecer mais sobre o assunto e usufruir mais plenamente do que está em exibição em sua cidade. Outros se animam e resolvem fazer o tão sonhado — ou um sequer cogitado — curso de História da Arte.
        Um evento assim, que mobiliza multidões, às vezes é o único estímulo forte o bastante para se colocar em prática, lendo e estudando, o que antes era, para muitos, uma vontade remota. Seja lá o que tenha impulsionado a vontade de aprender — a indicação de um professor, a recomendação de um amigo, um conselho de um parente, um texto na internet, a insistência do namorado —, uma leitura ou curso têm o maravilhoso poder de nos renovar. A chance de você ficar no mínimo feliz com a oportunidade de upgrade concedida a si próprio é imensa.
        Nem sempre o que impulsiona a aquisição de conhecimento é tão notório quanto essa exposição que veio nos visitar. Às vezes é mais fruto de um processo interno do que de um acontecimento externo. Pode ser que o que você pretende conhecer mais a fundo sempre tenha feito parte da sua vida. E pode ser algo tão presente que você nunca tenha cogitado estudar justamente pelo fato de o assunto já lhe parecer suficientemente familiar. Isso acontece, por exemplo, com pessoas que têm um parente que cozinha tão bem e está tão à mão para ensinar ou dar dicas que chegam a desconsiderar a hipótese de estudar gastronomia.
        Algo parecido me aconteceu muito recentemente. Apaixonada por fotografia, achava que o núcleo do assunto era a técnica, mas cheguei a outra conclusão: o núcleo do assunto é a imagem em si. A partir dessa constatação, qual direção seguir? Estudar imagem? Afinal, imagem não é algo banal, de conhecimento universal e inerente à existência?
A imagem não é algo dominado porque é onipresente. É um universo a se estudar sob os mais variados aspectos. Imbuída desse pensamento, resolvi conhecer melhor o assunto. Então, para me nortear nessa nova aventura, resolvi fazer o — excelente, por sinal — curso de composição da imagem no Ateliê da Imagem. E meu olhar, felizmente, ganhou a chance de se tornar embasado. Como meu lema é socializar o que pode ser enriquecedor, deixo para vocês o depoimento do professor desse curso, André Dorigo:
        "O curso tem por objetivo proporcionar ao aluno a compreensão dos elementos, conceitos e recursos visuais usados na composição de imagens, para que possam servir de ferramenta para o desenvolvimento do seu trabalho pessoal. A partir dos exemplos dos grandes mestres da pintura e da fotografia, buscamos refletir sobre a imagem ao longo dos diversos períodos históricos de modo a compreender melhor a produção (e a profusão) imagética do nosso tempo. Os alunos também são convidados a apresentarem seus trabalhos, para que sejam discutidos em classe. No entanto, mais do que estimular a produção e análise de imagens, o curso pretende ser um exercício do olhar".
        Em uma época de bombardeios diários com novos equipamentos digitais cada vez mais inteligentes e cheios de recursos, acabamos deixando de lado o que motiva o clique: o olhar — o início de tudo.
        Você já parou para analisar o quando a cultura na qual você está imerso determina a sua leitura da imagem? Já observou como o corte que se faz no enquadramento, inclusive a escolha das orientações retrato ou paisagem, determina o olhar do leitor? Já se deteve um pouco mais nas linhas que compõem a imagem? Já avaliou a intenção do fotógrafo ao capturar a imagem naquele ângulo escolhido?
        Todos somos consumidores de imagens, e esse assunto não nos é indiferente. No caso de produtores de imagens, então, esse conhecimento é essencial. Mas, acima de tudo, dispor de ferramentas que embasem o olhar e ver antigas imagens adquirindo novos sentidos é se sentir também renascendo.



Link para essa postagem


domingo, 21 de outubro de 2012

Qual é o seu lugar no mundo?

        Você já pisou em algum lugar e de repente teve a sensação de que aquele era o seu lugar no mundo? Isso aconteceu comigo quando conheci Ouro Preto. Se me fosse concedido um desejo, eu pediria para visitar Ouro Preto todos os anos até o fim da vida.
        Abrir a janela e ver enquadradas as montanhas salpicadas de igrejas, comer couve com tutu à mineira, doces caseiros sem igual, aquela variedade de queijos saborosos, um inesquecível mexidinho, ver o entardecer dourando as construções tombadas, subir suas ladeiras de pedra-sabão, misturar-se ao burburinho universitário em épocas de festa ou procurar uma ruela e ficar sentado na calçada observando os contornos da paisagem - poucas coisas nessa vida me parecem tão desejáveis desde que os meus olhos encontraram aquele relevo pela primeira vez.
        Ah, Ouro Preto me emociona como só mais um lugar conseguiu: Tiradentes. Essa cidade também transmite tanta paz, tem um poder de encantamento tão avassalador que dá vontade de se camuflar para se misturar à paisagem acolhedora. Um final de semana por lá e você já está "amineirando" o passo, conferindo as horas no relógio de sol da Igreja da Matriz, folheado livros de "causos" do lugar, querendo se demorar.
        Ouro Preto e Tiradentes são dois lugares onde me desfaço para me refazer com menos racionalidade e mais emoção. Lugares onde me escuto melhor, onde me calo melhor, onde a solidão é mais companhia e onde cada ruazinha é imensidão.
        Não importa o seu lugar no mundo. Pode ser outra cidade, outro país, um bairro, a sua casa, a casa da sua mãe ou avó, o parque onde você caminha, a praia que renova suas energias. O importante é que você reconheça esse lugar e sinta que você tem para onde voltar quando quiser se (re)encontrar.




Link para essa postagem


segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Pensamento à toa, à toa

        Há dias em que, se não fosse um café, o dia simplesmente não seria.


Link para essa postagem


sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Frase

        Hoje acordei com uma frase na cabeça que li pela primeira vez aos 12 anos: "Alimentai a mente com grandes pensamentos, pois jamais subireis mais alto do que sois capazes de pensar."


Link para essa postagem


terça-feira, 25 de setembro de 2012

Altruísmo

        Altruísmo é ofertar o silêncio em vez da própria voz.


Link para essa postagem


domingo, 23 de setembro de 2012

Sobre as peças Barrela e Ato de comunhão

        A peça Barrela contém cenas que você, definitivamente, não gostaria de ver, assim com a peça Ato de comunhão contém descrições que, igualmente, você mal pode acreditar que tenham sido baseadas em fatos reais. Duas peças indigestas para os olhos e para os ouvidos; duas peças que causam um estranhamento quase insuportável. Duas peças proibidas para quem tem nervos, coração e estômago fracos; duas peças obrigatórias para quem quer expandir seus próprios limites como espectador.
        Que limites são esses? Bem, muita gente tem a diversão como principal parâmetro para ir ao teatro. Se você se encaixa nessa categoria, risque essas duas peças da sua lista. Não há nada menos divertido do que o que se ouve e vê nelas. As imagens e as palavras incomodam porque são reflexos de realidades que a maioria quer manter debaixo do tapete. É duro ter conhecimento da realidade carcerária. Também é duro acreditar que alguém possa comer, premeditadamente, um pedaço de carne humana. Nas duas peças a brutalidade impera. A brutalidade é a face mais pungente do nosso lado obscuro. A brutalidade nos aproxima dos animais. E a animalidade humana é tudo o que a educação e a religião procuram combater. O limite, então, são realidades medonhas que não rimam com diversão.
        Ora, a gente busca conhecer outras realidades o tempo inteiro. A gente procura isso na TV e no cinema. A gente está exposto a isso quando lê o jornal. E, se não busca, a exposição a outras realidades se dá involuntariamente, de modo corriqueiro: na música que eu jamais escolheria escutar, mas que está tocando no carro que passa; no linguajar que eu entendo, mas não sou capaz de usar; nas roupas alheias que me causam estranhamento; na comida da foto que eu nunca provei; até na vizinhança a realidade de quem mora ao lado é muito diferente da minha.
        Então, por que só ir ao teatro para identificar-se com o(s) personagens,? Por que escolher pisar sempre em terrenos conhecidos? Por que sempre o caminho do riso fácil, da identificação fácil, da compreensão fácil?
        Por que nos palcos a brutal realidade é menos digerível do que nos livros, jornais, cinema e TV? No teatro não há folhas nem telas de vidro que nos separem de duras realidades. Nos outros casos, se ficar difícil de suportar, basta fechar o livro/jornal, desligar a TV ou sair da sala de cinema, não é mesmo?
        E quando você está a alguns palmos de distância do(s) ator(es), como nessas duas peças, apresentadas em espaços mínimos? E se, no meio do espetáculo, você tiver vontade de invadir a cena, gritar, deter o ator ou desaparecer da cadeira? Nesse tipo de peça, é possível brotar alguma ânsia similar. É apenas o desconforto fantasiando uma saída estratégica. E o desconforto, caro leitor, não é amigo da diversão, mas um companheiro muitas vezes inseparável do crescimento.


Link para essa postagem


quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Aos meus amigos, esses professores

        De repente alguém lhe mostra um recanto mágico na cidade onde você morou a vida inteira e você se sente um turista em sua própria cidade.
        De repente você sente vontade de assistir a um determinado filme ou show, ler um certo autor ou viajar para um local específico simplesmente pela maneira apaixonada como alguém o descreveu.
        De repente você se vê emendando duas sessões de cinema, um filme com uma peça, uma exposição com um filme, uma peça em outra peça e se pergunta por que levou tanto tempo para perceber que cinema não precisa ser só aos domingos, nem peça só de vez em quando, nem ópera de vez em nunca, nem zoológico só quando há criança por perto, nem circo só quando se é criança.
        De repente você entra numa livraria acompanhado para tomar um café e, depois de uma conversa que não para de zunir na sua cabeça, matricula-se em uma nova faculdade na semana seguinte.
        De repente você se vê dando/recebendo presente em um dia comum, sem nenhum motivo aparente, e se pergunta por que todo mundo passa a vida inteira esperando datas especiais para isso.
        De repente você está com medo do voo por ter que saltar do penhasco e alguém te dá um empurrão.
        De repente você está decidido a pular do penhasco e alguém te dá um puxão.
        De repente novas maneiras de sentir, enxergar e viver se chamam simplesmente amizade.



Link para essa postagem


quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Lembrete para impulsivos

Basta um minuto para se jogar fora o que às vezes levou a vida inteira para se construir.


Link para essa postagem


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Seguro é estar com os pés no chão

A mãe diz ao filho alpinista:
— Filho, seguro é estar com os pés no chão.
E o filho emenda a pergunta:
— E quando você precisa menos de segurança e mais de emoção?


Link para essa postagem